Para iniciar o estudo das orações subordinadas substantivas, é necessário consolidar alguns conceitos primeiro.
Oração, em Língua Portuguesa, é uma frase com uma ação (normalmente expressa por um verbo).
Subordinada é quando a oração não possui sentido completo (se você falar apenas aquele trecho, a mensagem ficará incompleta). Muitos se perguntam por quê? A explicação é simples: uma oração subordinada representa apenas um pedaço da estrutura da frase, isto é, uma frase é composta por sujeito, verbo e complemento. Logo, uma oração subordinada por exercer a função de qualquer um dos termos integrantes da frase. As orações subordinadas desse grupo sempre se iniciarão com a conjunção QUE (algumas vezes com SE). Para fins didáticos, a palavra Substantiva do termo Orações Subordinadas Substantivas será suprimida.
Orações subordinadas com valor de OBJETO DIRETO.
Juquinha deseja uma viagem.
Nesse exemplo temos apenas uma oração simples. Para haver uma oração subordinada, é necessária a conjunção (palavra que conecta frases) exatamente onde começa a classe gramatical. Portanto, nesse exemplo, se desejamos aplicar uma oração subordinada objetiva direta, a conjunção deve estar na posição da palavra UMA (início do objeto direto).
Juquinha deseja (O QUÊ?) que sua viagem seja inesquecível.
Juquinha: sujeito.
Deseja: verbo.
Que sua viagem seja inesquecível: oração subordinada com valor de objeto direto.
É uma oração pois há verbo (seja).
É subordinada porque iniciou com a conjunção QUE; representa apenas uma parte da composição da frase; e, se lida apenas esse trecho, não fará muito sentido.
Observe este outro exemplo:
O vizinho exigiu (O QUÊ?) uma explicação.
O vizinho exigiu que meu pai se explicasse.
Observe com atenção o próximo exemplo:
A professora avisou com ênfase que teríamos prova amanhã.
Quem avisa, avisa algo, alguma coisa. Logo “que teríamos prova amanhã” é o objeto desse verbo. A parte “com ênfase” não interfere nessa relação.
Leia a tirinha a seguir:
No primeiro quadrinho, pode-se observar uma oração com valor de objeto direto. Observe: [eu] já disse [o quê?] que só funcionamos no horário comercial.
O trecho “que só funcionamos no horário comercial” é o objeto direto da frase em forma de oração subordinada.
Você consegue descobrir onde está a oração com valor de objeto direto nessa tirinha?
Orações subordinadas com valor de OBJETO INDIRETO.
Assim com nas orações simples, ela se aproxima das orações objetivas diretas. O pensamento é bem similar. Observe:
Juquinha gosta de que as aulas de Educação Física aconteçam no pátio coberto.
Juquinha: sujeito.
Gosta: verbo.
De que as aulas de Educação Física aconteçam no pátio coberto: oração subordinada com valor de objeto indireto, porque quem gosta, gosta DE alguma coisa. DE QUÊ? A preposição está presente, logo o objeto será indireto. Uma vez que o objeto indireto dessa frase iniciou com a conjunção QUE e possui verbo, classificamos esse trecho de oração subordinada. Confira outro exemplo.
Ela duvidou de que eu tiraria 10 nessa prova.
Quem duvida, duvida DE alguma coisa. Logo “de que eu tiraria 10 nessa prova” tem valor de objeto indireto. É um objeto por sofrer a ação do verbo, é indireto por haver uma preposição (DE) entre o verbo e o objeto. Se fosse para reduzir a oração objetiva em uma palavra, a resposta seria DISSO (de + isso).
EXERCÍCIO
Para verificar sua aprendizagem, descubra quais tipos de Orações Subordinadas (OS) há nas frases a seguir:
Eu detesto que você use minhas roupas.
Juca pediu que o lixo fosse retirado.
A menina necessita de que alguém a ajude.
O motorista do ônibus exigiu que permanecêssemos em silêncio.
Jurema desconfia de que Juca não foi trabalhar.
Eu detesto que você use minhas roupas. (OS objetiva direta)
Juca pediu que o lixo fosse retirado. (OS objetiva direta)
A menina necessita de que alguém a ajude. (OS objetiva indireta)
O motorista do ônibus exigiu que permanecêssemos em silêncio. (OS objetiva direta)
Jurema desconfia de que Juca não foi trabalhar. (OS objetiva indireta)
Orações subordinadas com valor de PREDICATIVO.
Agora que você já sabe que as orações subordinadas substantivas iniciam com a conjunção QUE, ficará mais fácil compreender os demais tipos de subordinadas deste estudo. As subordinadas predicativas são aquelas que estão no lugar de um predicativo. Veja o exemplo:
Minha casa parece um museu.
O verbo parecer é um verbo de ligação, e como vimos nós teremos como complemento um predicativo. Assim, se quisermos adicionar uma oração subordinada com valor de predicativo nesse exemplo, basta colocar a conjunção QUE no ponto em que o predicativo inicia e fazer a oração.
Minha casa parece QUE só contém móveis do século passado.
Muita atenção nesse momento. Se você fizer a pergunta O QUE para esse verbo, será um equívoco a resposta, pois essa pergunta se faz para os verbos de ação, os quais resultarão em um objeto. Uma vez que temos um verbo de ligação, teremos AUTOMATICAMENTE um predicativo.
Confira esse exemplo:
Meu tio anda feliz ultimamente.
O verbo andar é de ação ou de ligação? É necessário analisar a frase. O complemento do verbo fala do sujeito ou de outra pessoa/coisa? Se falar do sujeito, é de ligação. Logo, como feliz se refere ao sujeito (meu tio), ele é de ligação. Observe que esse verbo traz a ideia de continuidade, de frequência; não de deslocamento, de caminhada. Portanto, se desejarmos uma oração subordinada para esse exemplo, podemos escrever o seguinte:
Meu tio anda QUE não se aguenta de tanta alegria.
Observe a tirinha a seguir. Você consegue identificar a oração subordinada do primeiro quadrinho?
Orações subordinadas com valor de COMPLEMENTO NOMINAL.
Como vimos anteriormente, quando uma palavra (normalmente um substantivo abstrato) possui um complemento, uma informação que traga característica para aumentar seu significado, esclarecer o seu sentido, temos um complemento nominal. Esse complemento sempre será precedido de uma preposição (palavrinha que conecta outras palavras). Vamos relembrar com um exemplo.
Jurema tem nojo de baratas.
Jurema: sujeito
Tem: verbo (de ação)
Nojo: objeto direto (ela tem O QUÊ?)
De baratas: complemento nominal porque completa o significado de nojo
No entanto, ao se trabalhar com as orações subordinadas, devemos acrescentar um QUE no ponto em que inicia esse termo integrante. Então a frase ficaria assim:
Jurema tem nojo de QUE baratas voem perto dela.
Tudo após DE QUE é o complemento da palavra nojo. Como o trecho iniciou com conjunção e possui verbo, é uma oração subordinada. Essa oração está na posição de um complemento nominal, portanto esta é uma oração subordinada completiva nominal.
Orações subordinadas com valor de SUJEITO.
O sujeito de uma frase é fácil de localizar, basta perguntar ao verbo quem está realizando a ação. Contudo, quando há uma oração subordinada com valor de sujeito, ela pode não ficar tão evidente como nas frases coordenadas. É necessário um olhar mais atento do que nas demais subordinadas. A boa notícia é, quando o sujeito é uma subordinada, a oração principal normalmente inicia com o verbo, que pode ser de ligação ou outro na forma impessoal (3ª pessoa), jogando o sujeito mais para trás. A oração principal pode ainda iniciar com o verbo na voz passiva. Observe que a conjunção QUE ainda abre a oração subordinada. Vejamos alguns exemplos.
[verbo de ligação]
Está decidido que as férias de verão iniciam no dia 20 de dezembro.
O que foi decidido? Isso foi decidido. ISSO corresponde ao sujeito. Logo, a parte da frase que substitui ISSO é o que está sublinhado.
[verbo impessoal na 3ª pessoa]
Convém que façamos silêncio na biblioteca.
O que convém? Isso convém. Que façamos silêncio na biblioteca é o que convém. Então esse trecho sublinhado corresponde ao sujeito.
[voz passiva]
Não será permitido que as pessoas usem o salão de festas neste fim de semana.
O que não será permitido? Isso não será permitido. Isso o quê? Que as pessoas usem o salão de festas neste fim de semana.
É possível ou permitido iniciar a frase com o sujeito, isto é, iniciar a frase com a subordinada? Sim! Veja:
Que todos estejam bem acomodados é o mais importante para nossa equipe.
Observe o primeiro quadrinho da tinha a seguir. Você consegue identificar o sujeito da oração?
Orações subordinadas com valor de APOSTO.
Diferentemente da sua forma em orações coordenadas (frases simples), as orações subordinadas com valor de aposto são fáceis de identificar: elas sempre vêm após os dois pontos (:), seguido, é claro, da conjunção que abre a oração subordinada. Olhe como é fácil.
Nós temos apenas uma meta: que possamos entregar todas essas cestas básicas em tempo.
Note que a oração principal (a primeira parte, neste caso) está completa. Há sujeito, verbo e um complemento (objeto direto, neste caso). Sempre será assim. Confira mais um exemplo.
Minha filha desejou apenas uma coisa hoje: que sua admissão no programa fosse aceita.
Para finalizar, analise a oração subordinada presente nessa imagem.
MATERIAL COMPLEMENTAR:
Assista ao vídeo do professor Noslen sobre as orações subordinadas substantivas clicando aqui. Neste canal, há ainda um vídeo para cada uma das orações subordinadas substantivas. Vale a pena conferir!
O jornal Folha de São Paulo também oferece uma boa explicação sobre esse tema. Acesse aqui as dicas.
Diógenes Schweigert
Postado em: 2 de outubro de 2025.